por Ricardo F. Ramos – Gazeta do Pari
A distribuição da verba da Subprefeitura Mooca: justiça para todos ou privilégio para poucos?
A destinação dos R$ 10 milhões para a Subprefeitura da Mooca e também para as 32 subprefeituras do município de SP, levanta um importante debate: como garantir que esses recursos sejam distribuídos de forma justa e equilibrada entre os seis ou mais bairros que compõem as regionais?
Vamos focar apenas na regional Mooca: Essa proposta de divisão igualitária da verba foi apresentada por Ricardo F. Ramos, Conselheiro Suplente pelo Pari e jornalista da Gazeta do Pari no grupo de whatsApp do CPM Mooca e teve apenas dois conselheiros que comentaram! Com objetivo de garantir que cada bairro receba um valor justo e possa decidir suas próprias prioridades.
No entanto, a proposta não teve adesão significativa entre os conselheiros, e o assunto rapidamente foi deixado de lado. Isso reforça a realidade de que há uma resistência em pensar de forma coletiva, optando-se por concentrar a verba em poucos projetos e locais específicos.
O que está em jogo?
Cada bairro enfrenta demandas específicas, e a falta de equilíbrio na distribuição dos recursos pode gerar desigualdade e favorecimento para alguns em detrimento de outros. No Pari, por exemplo, a Praça Illo Otani se tornou um ponto crítico de insegurança, tráfico de drogas, moradores de rua, bares com som alto e vandalismo. Essa área, que é uma das principais entradas do bairro pela Marginal, precisa de revitalização e ações de segurança, o que só será possível com investimento adequado.
Se cada bairro recebesse sua parte proporcional da verba, os conselheiros e moradores poderiam decidir democraticamente quais são as prioridades locais, em vez de concentrar recursos em projetos de interesse restrito.
É possível ampliar essa verba?
Um ponto essencial a ser debatido é se os R$ 10 milhões são suficientes para atender as necessidades da Subprefeitura da Mooca. Em fevereiro de 2025, a arrecadação do município de São Paulo foi de R$ 6,2 bilhões. Diante desse volume de recursos, faz sentido questionar: por que a Mooca recebe apenas esse valor, e como podemos pleitear mais investimentos para a região?
A questão principal é: por que cada subprefeitura recebe apenas 0,16% do orçamento total, se são justamente essas regiões que geram os R$ 6,2 bilhões arrecadados? Esse modelo de distribuição levanta questionamentos sobre a equidade na destinação dos recursos e a necessidade de uma maior autonomia financeira para as subprefeituras, garantindo que as regiões que mais contribuem também recebam investimentos proporcionais às suas demandas e potencial econômico.
Se a sociedade e os conselheiros se unirem, podem não apenas garantir uma distribuição justa, mas também lutar para que a região receba um aporte maior de recursos.
A esmola dada às subprefeituras
Para entender o quão insignificante é essa verba dentro do orçamento da cidade, basta uma comparação simples: imagine uma pessoa que ganha um salário mínimo de R$ 1.500,00. Se ela tivesse que dividir 5,16% desse valor com todos que contribuem para sua receita mensal, estaria distribuindo apenas R$ 77,40.
Agora, imagine que essa pessoa tenha que dividir esse valor entre 32 pessoas (assim como a verba das subprefeituras é dividida entre 32 regiões). Cada um receberia míseros R$ 2,42. Isso não resolveria nenhum problema de verdade e ainda criaria uma falsa impressão de que algo está sendo feito.
O mesmo acontece com as subprefeituras: o valor distribuído a elas é uma esmola dentro da arrecadação bilionária do município. O erro não está na divisão justa entre os bairros, mas sim na falta de consciência coletiva sobre o uso correto do dinheiro público e na ausência de uma luta organizada por mais recursos.
O individualismo disfarçado de coletividade
Ignorar essa proposta é uma prova clara de que parte da sociedade não pensa no coletivo. Mais do que isso, aqueles que defendem concentrar R$ 10 milhões em um único bairro ou até mesmo em uma única rua demonstram um comportamento que contradiz a imagem de quem se diz defensor dos interesses sociais.
Curiosamente, esse tipo de postura se assemelha ao modelo de governo federal atual, que vende uma imagem de coletividade e justiça social, mas na prática age de forma egoísta e concentradora. Quem realmente defende o bem comum deve agir com coerência e pensar na distribuição justa dos recursos.
Se há um compromisso real com a sociedade, a solução é simples: dividir os R$ 10 milhões igualmente entre os bairros e lutar por mais recursos para toda a região, sem privilegiar poucos e prejudicar muitos.
Enquanto isso, a máquina controla e alimenta a ilusão
Enquanto alguns brigam por migalhas, disputando recursos para seus interesses particulares, o verdadeiro poder segue agindo nos bastidores. A população se distrai com pequenas batalhas políticas locais, enquanto a máquina administrativa mantém seu controle, distribuindo recursos conforme sua própria conveniência.
A situação lembra a cena clássica de uma praça cheia de pombos, onde o governo, como um alimentador estratégico, joga um punhado de milho e assiste ao caos se formar. Os pombos, famintos, lutam entre si, sem perceber que o verdadeiro poder está na mão de quem distribui o alimento. Da mesma forma, os cidadãos disputam migalhas de um orçamento bilionário, sem questionar o real destino da maior parte dos recursos.
A verdadeira mudança só acontecerá quando a sociedade parar de se contentar com o pouco que lhe é concedido e passar a exigir transparência, equidade e justiça na gestão pública. Até lá, a ilusão de coletividade continuará sendo usada como ferramenta para manter o controle, enquanto poucos seguem tomando as grandes decisões.
A Dedicação de Ricardo Nunes na Administração de São Paulo
O prefeito Ricardo Nunes tem demonstrado boa vontade e empenho na administração de São Paulo, buscando manter a cidade organizada e avançando em diversas áreas essenciais. Sua atuação na gestão pública tem sido marcada por uma abordagem pragmática e dedicada, enfrentando desafios com responsabilidade e comprometimento.
Além disso, ele tem se mostrado acessível e disposto a dialogar com diferentes setores da sociedade, ouvindo demandas e trabalhando para atender às necessidades da população. Sua postura firme na continuidade de projetos estruturais e investimentos na cidade reflete o compromisso em garantir melhorias na mobilidade urbana, segurança e infraestrutura.
É sempre importante reconhecer os esforços de um gestor público que trabalha com dedicação, e Ricardo Nunes tem demonstrado isso ao longo de sua administração. No entanto, como cidadãos, devemos sempre manter um olhar crítico e participativo, cobrando transparência e resultados concretos para o bem de São Paulo.
