| “Quando o ego domina o espaço público, a sociedade perde o que é seu por direito: a representação.”
O Conselho Participativo Municipal da Subprefeitura Mooca — responsável por representar os bairros Pari, Brás, Belém, Água Rasa, Tatuapé e Mooca — atravessa uma de suas piores fases desde sua criação. O órgão, que deveria atuar como ponte entre a população e o poder público, está hoje tomado por disputas internas, rivalidades políticas e uma crise de identidade institucional.
A missão do conselho é clara: fiscalizar políticas públicas, propor melhorias locais e representar os interesses dos cidadãos. No entanto, o que se observa é um ambiente contaminado por vaidades pessoais, disputas de espaço e brigas entre conselheiros, que desviam completamente o foco das verdadeiras necessidades da região.
Nos bastidores, conselheiros se acusam mutuamente, trocam farpas por e-mail e até envolvem a Casa Civil em conflitos que, na essência, refletem a incapacidade de diálogo e a omissão dos próprios membros da mesa diretora. Reuniões são convocadas sem clareza, decisões são tomadas sem consulta ao pleno, e o discurso de “representar a população” dá lugar a um cenário onde cada um tenta vencer a narrativa, como se o conselho fosse um palco político-partidário.
A Casa Civil da Prefeitura de São Paulo, ao tentar mediar a situação e recomendar uma reunião extraordinária com votação plena — conforme prevê a legislação vigente — passou a ser acusada por alguns de interferência indevida. Isso demonstra um preocupante nível de desinformação jurídica e uso ideológico de normas públicas, num ambiente que deveria prezar pela legalidade e pelo bom senso.
Enquanto isso, os seis bairros da Subprefeitura Mooca seguem sem uma atuação efetiva do conselho. Nenhuma proposta concreta tem avançado nas áreas de segurança, habitação, zeladoria, mobilidade urbana ou fiscalização do orçamento. O que avança, infelizmente, é a fragmentação, o silêncio institucional e o enfraquecimento do papel do CPM perante a comunidade.
É preciso lembrar: conselheiro participativo não é cargo de poder, mas sim de responsabilidade pública. É uma função honrosa, confiada por voto direto da população, para representar os reais problemas de cada bairro. Não há espaço para estrelismos, manipulação ou omissão.
Se o CPM Mooca deseja recuperar sua legitimidade, precisa urgentemente retornar ao básico: ouvir, dialogar, propor e fiscalizar — com ética, humildade e foco nas pessoas.
Por Ricardo F. Ramos
Jornalista – Gazeta do Pari
