No último dia 25 de agosto de 2025, o Conselho Participativo Municipal da Mooca (CPM) elegeu sua nova coordenadora, Yara Falcone, sucedendo a desastrosa gestão de Priscila Prícolli. O subprefeito, Cel. Marcos Vinicius Valério, abriu a sessão de forma protocolar e rapidamente se recolheu ao gabinete. Fez bem: o que veio depois pouco tinha de solenidade.
O auditório virou palco de discursos inflamados, promessas vazias e comemorações dignas de torcida organizada. Alguns conselheiros vibravam como se estivessem na arquibancada do Pacaembu. Houve até quem garantisse que “agora não terá mais politicagem” — frase que só não soa mais irônica porque foi dita dentro de uma eleição.
Na prática, o CPM Mooca funciona como a pré-escola da política. Ali se aprende a gritar, a negociar alianças improvisadas e a correr para o lado dos vencedores, seja qual for. É esquerda contra direita, mas sempre com um centrão caseiro, que não se importa com o debate: o importante é sair na foto ao lado de quem venceu.
E, claro, tem também o protagonista de sempre. O CPM poderia muito bem virar um quadro fixo de humor na TV chamado “A Escolinha do Professor Leonel”, em referência ao conselheiro Ítalo Leonelo. Pois não importa quem seja eleito: quem monopoliza a palavra, corrige, interrompe e dita o ritmo é ele. É a caricatura perfeita do político que se julga indispensável.
A noite terminou como tantas outras: cerveja, comemoração e discursos de vitória. No papel, o Conselho deveria ser a instância de diálogo sério da comunidade. Na prática, mais parece um espelho em miniatura do Brasil: todo mundo critica a politicagem, mas quando chega a vez de comemorar uma vitória, não falta entusiasmo — nem cerveja gelada.
por Ricardo F Ramos
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