por Ricardo F. Ramos – Gazeta do Pari
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Balas Juquinha: O Sabor do Brasil que Nasceu em uma Cozinha no Pari
Quem passa hoje pelas ruas do Pari pode não imaginar que um dos maiores ícones da infância brasileira teve seu “laboratório” em uma cozinha residencial do bairro. A Bala Juquinha, com seu inconfundível sabor de tutti-frutti e a embalagem do menino loiro, é uma parte viva da história da nossa região.
O Início Artesanal: De Portugal para o Coração do Pari
A trajetória começou em 1945, quando o imigrante português Carlos Maia Picado fundou a Salvador Pescuma Russo e Cia Ltda. Inicialmente focada em refrescos em pó, a empresa mudou de rumo na década de 50. Foi na cozinha de sua casa, no Pari, que Maia desenvolveu a primeira bala mastigável do Brasil.
Com tachos de cobre e bancadas de mármore, a produção era artesanal. O nome “Juquinha” surgiu de uma conversa com seu compadre, Juca. Carlos achou o nome do amigo forte demais para crianças e o transformou no carinhoso diminutivo que conquistaria gerações.

O Fenômeno do Plano Real: A Bala que Virou Moeda
Nos anos 90, a fábrica — que já havia se expandido para Santo André — viveu seu auge econômico por um motivo inusitado: a falta de moedas. Com a chegada do Plano Real em 1994, a Bala Juquinha tornou-se a “moeda de troca” oficial de padarias e botecos, chegando a vender 600 toneladas por mês sem investir um centavo em publicidade.
Crise, Fechamento e o Resgate da Fórmula Secreta
Após décadas de sucesso e exportação para mais de 40 países, a marca enfrentou crises financeiras e a falta de sucessores. Em 2015, a fábrica fechou as portas, causando comoção nacional. Parecia o fim de uma era que começou aqui no nosso bairro.
Entretanto, a história teve uma reviravolta digna de filme. O empresário Antônio Tanque, um ex-camelô do Rio de Janeiro, comprou a marca e a receita original. Ele chegou a buscar a fórmula secreta de helicóptero para garantir que o sabor desenvolvido no Pari não se perdesse.
O Legado Continua
Hoje, as Balas Juquinha voltaram às prateleiras, produzidas em parceria com a Florestal Alimentos. Para nós, moradores e frequentadores do Pari, a bala é mais que um doce; é o símbolo de que a criatividade e o trabalho duro nascidos em uma cozinha de bairro podem ganhar o mundo.

Adorava as balas Juquinha. Boas recordações dos depósitos de doces e bolachas do Pari. Ia com a vó comprar bolachas em um depósito em frente ao colégio Santa Maria. Até hoje me lembro do cheiro delicioso de bolacha feita na hora e dos depósitos de doces com as balas Juquinha.
Tinha a venda do “ seu Antônio” na rua Rio Bonito onde comprei muito dessas balas.
Bala que marcou a minha infancia